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The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico (1967)

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Como o disco de 1967 do Velvet Underground e Nico se tornou a fundação de quase tudo o que é cool na música até hoje. 

Se você é do tipo que acha que Rock'n'roll é só festa e guitarras limpinhas, segura essa: "The Velvet Underground & Nico" não é um disco. É um portal. Lançado em 1967, no auge do "Verão do Amor", enquanto a Califórnia pregava paz e flores, Lou Reed e sua trupe estavam em Nova York retratando a crueza do submundo: drogas, sexo, sadomasoquismo e a escuridão da metrópole. O álbum é um resumo temático e visceral da vida noturna e dos anti-heróis, uma obra que não pedia licença, apenas jogava a realidade na sua cara com distorções e melodias que soavam ora sujas, ora etéreas. 

Para entender o contexto, é preciso falar de Andy Warhol, o padrinho e produtor executivo que bancou o projeto. A banda The Velvet Underground era a trilha sonora da sua lendária Factory, um laboratório de arte e extravagância. Foi Warhol quem "impôs" a presença da modelo e cantora alemã Nico, cuja voz gélida e melancólica adicionou uma camada de drama sofisticado que contrasta perfeitamente com a agressividade de Lou Reed. Essa união, mais a experimentação sonora de John Cale (violino elétrico e viola) e a bateria minimalista de Maureen "Moe" Tucker, criou uma química explosiva. 

Os números de venda iniciais de "The Velvet Underground & Nico" foram, para ser franco, um desastre comercial. As rádios ignoraram, as lojas não sabiam onde colocá-lo, e a banda sofria com processos por conta do conteúdo lírico. No entanto, o disco é o caso mais famoso da história em que a influência superou em milhões o faturamento. O músico Brian Eno resumiu: "A primeira tiragem vendeu apenas 30.000 cópias, mas todos que compraram uma formaram uma banda". A revista Rolling Stone o coloca hoje entre os melhores álbuns de todos os tempos, consolidando seu status de semente do punk, do new wave e do rock alternativo. 

A análise musical mostra um yin-yang fascinante. O lado mais sombrio do disco está em faixas como "Heroin" (um épico de 7 minutos que simula a experiência de injetar a droga com a progressão frenética do violino de Cale) e "I'm Waiting for the Man" (um relato seco e agitado sobre a compra de drogas no Harlem). São canções cruas, proto-punks e lírica e musicalmente desafiadoras para 1967. O som da guitarra de Lou Reed e a pegada repetitiva e hipnótica são pura vanguarda. 

Por outro lado, o álbum nos presenteia com o Art Pop mais delicioso e melancólico, geralmente na voz de Nico. "Femme Fatale" e "I'll Be Your Mirror" são retratos delicados de personagens da Factory, canções que esbanjam charme e introspecção. O álbum até começa de forma enganosamente doce com "Sunday Morning," escrita por Lou Reed e John Cale para ser um single mais acessível, preparando o ouvinte para o choque que viria a seguir. 

A capa é lendária: a famigerada arte da banana, desenhada por Andy Warhol, vinha com um adesivo peelable, acompanhado da instrução "Peel Slowly and See" (Descasque Devagar e Veja). A gravadora Verve Records teve que arcar com custos altíssimos de produção para essa capa interativa, que se tornou um ícone do pop art. A banda só se desvincularia de Warhol e da influência de Nico em seus trabalhos seguintes, mas a marca deste primeiro álbum permaneceu inigualável. 

A produção de Warhol foi mais conceitual (o que deu tempo e liberdade à banda) do que técnica, e Tom Wilson, um produtor experiente (que trabalhou com Bob Dylan), foi trazido para supervisionar e salvar o projeto, conferindo-lhe a qualidade sonora que precisava para ser lançado. É uma prova de que a visão artística, mesmo quando caótica, pode ser imortalizada com o apoio das pessoas certas. 

"The Velvet Underground & Nico" é, em suma, o álbum que mudou a história sem que ninguém percebesse na época. É a trilha sonora de uma Nova York suja e genial, um registro essencial que ensinou gerações de músicos que não é preciso ser bonito para ser arte, e que a verdadeira revolução sonora acontece na margem, longe do mainstream. Um clássico atemporal que, mais de 50 anos depois, ainda soa fresco e perigoso. 

Ficha Técnica 
Autor/banda: The Velvet Underground & Nico 
Ano de lançamento: 1967 
Produtor: Andy Warhol (Produtor Executivo) e Tom Wilson (Supervisão de Produção) 
Gravadora/Editora: Verve Records 

Tracklist: 
Sunday Morning (Lou Reed, John Cale) 
I'm Waiting for the Man (Lou Reed) 
Femme Fatale (Lou Reed) 
Venus in Furs (Lou Reed) 
Run Run Run (Lou Reed) 
All Tomorrow's Parties (Lou Reed) 
Heroin (Lou Reed) 
There She Goes Again (Lou Reed) 
I'll Be Your Mirror (Lou Reed) 
The Black Angel's Death Song (Lou Reed, John Cale) 
European Son (Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison, Maureen Tucker)