Uma Viagem Alegre Pelo Caos e Riffs de Rock em "The Man Who Sold the World" Vamos aumentar o volume no terceiro álbum de estúdio de David Bowie, "The Man Who Sold the World", um disco que pega de surpresa como uma figura sombria em um sonho. Lançado em 1970, esse aqui representa uma virada radical das vibes folk anteriores, mergulhando de cabeça no hard rock com toques blues que fazem as caixas de som tremerem. O álbum carrega um charme inquietante, misturando letras obscuras com um trabalho de guitarra matador, e é o tipo de obra que parece a faísca para uma sequência lendária de clássicos.
TMWSTW surge logo após o sucesso de "Space Oddity", em um momento em que a carreira solo parecia estagnada, com singles seguintes sem impacto. Foi nessa fase que uma nova formação se reuniu, incluindo o guitarrista Mick Ronson e o baixista Tony Visconti, criando a banda de curta duração Hype. Eles experimentavam com fantasias extravagantes de super-heróis no palco, testando ideias para evoluções futuras. Gravado em uma correria de abril a maio de 1970 nos estúdios Trident e Advision, em Londres, o processo envolvia ideias iniciais incompletas que a banda expandia coletivamente.
Tematicamente, o disco explora os cantos mais escuros da mente: loucura, guerra, tecnologia fora de controle e crises de identidade que surgem de forma inesperada. Influências de conceitos como o super-homem de Nietzsche e a alienação de Kafka se entrelaçam nas faixas, gerando uma vibe de álbum conceitual solto, mais coeso do que algumas viradas posteriores. As músicas ecoam motivos de insanidade e poder, como um salão de espelhos sonoro. Originalmente intitulado "Metrobolist" em homenagem ao filme "Metropolis" de Fritz Lang, o nome foi alterado pela Mercury Records sem aprovação, enriquecendo a narrativa peculiar da obra.
O lançamento inicial foi modesto, com apenas 1.395 cópias vendidas nos EUA até meados de 1971, um número baixo para o que se tornaria uma obra-prima. A reedição de 1972, impulsionada pela fama de Ziggy Stardust, alcançou o 24º lugar na parada de álbuns do Reino Unido por 30 semanas e o 105º no Billboard 200 dos EUA por 23 semanas. Com reedições ao longo dos anos, obteve disco de ouro no Reino Unido com 100 mil unidades e vendas mundiais estimadas em 1,7 milhão. Destaques posteriores incluem posições de topo na Iugoslávia na época e renovações em 2016 em mercados como Canadá e Holanda, confirmando seu apelo duradouro.
Entre as faixas principais, "The Width of a Circle" inicia com um jam épico de oito minutos no estilo prog-rock, repleto de guitarra com feedback de Ronson que evoca a intensidade do Deep Purple - uma jornada psicodélica que alude a um encontro intenso com o divino. A faixa-título, "The Man Who Sold the World", traz um riff circular assombrado e letras enigmáticas sobre um doppelgänger, inspiradas em poemas antigos; os vocais com fase e a percussão güiro criam um groove marcante, popularizado depois pelo Nirvana.
"All the Madmen" entrega um impacto pessoal, inspirado em lutas com esquizofrenia, com o gravador adicionando uma inocência infantil que evolui para caos via Moog, resultando em algo aterrorizante e genial. "Black Country Rock" injeta diversão ao imitar o estilo de Marc Bolan do T. Rex em um blues animado, enquanto "The Supermen" avança com energia hard rock, reinterpretando o Übermensch de Nietzsche em tons que mais tarde foram chamados de "pré-fascistas". "She Shook Me Cold" destaca-se como um blues no estilo Cream sobre temas de conquista, exibindo o vigor cru da banda.
O álbum emerge sob a influência da Guerra do Vietnã, com faixas como "Running Gun Blues" aludindo sutilmente a eventos como My Lai, fundindo crítica anti-guerra com agressividade rock. Essa era marcou a transição de gerentes, deixando Kenneth Pitt para trás e abraçando Tony Defries, que impulsionaria o glam rock. A capa dos EUA apresentava um cowboy cartunesco fora do asilo Cane Hill, referenciando histórias familiares, enquanto a do Reino Unido mostrava um vestido azul de Michael Fish, gerando discussões sobre quebra de gêneros que antecipavam tendências andróginas.
Os envolvidos incluem Mick Ronson na guitarra, elevando esboços a composições elaboradas; Tony Visconti no baixo e produção; Mick Woodmansey na bateria para ritmos sólidos; e Ralph Mace com toques de Moog futuristas. A Mercury Records cuidou do lançamento inicial, com a RCA assumindo a reedição de 1972, e selos como Rykodisc, Virgin e Parlophone preservando o legado. O vestido da capa britânica desapareceu por anos até uma exposição em 2011, e versões de Lulu e Nirvana elevaram a faixa-título a um sucesso intergeracional. Sua influência nas cenas goth e dark wave é notável, com ecos em bandas como Siouxsie and the Banshees e The Cure.
Ficha Técnica:
Autor/banda: David Bowie
Ano de lançamento: 1970
Produtor: Tony Visconti
Gravadora/Editora: Mercury Records
Tracklist:
1. The Width of a Circle (David Bowie)
2. All the Madmen (David Bowie)
3. Black Country Rock (David Bowie)
4. After All (David Bowie)
5. Running Gun Blues (David Bowie)
6. Saviour Machine (David Bowie)
7. She Shook Me Cold (David Bowie)
8. The Man Who Sold the World (David Bowie)
9. The Supermen (David Bowie)












