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The Stranglers - Black and White (1978)

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 Os Estranhos em P&B: O Mergulho Irônico e Acelerado de 1978

O final dos anos 70 foi um turbilhão sonoro, e o The Stranglers, sempre fora da curva, aproveitou esse caos para entregar algo que era puro veneno e ironia. Lançado em 1978, Black and White acelera o ritmo e polariza a sonoridade do grupo de forma genial. Enquanto a primeira metade é pura adrenalina punk rock, a segunda mergulha em texturas mais densas e experimentais, mostrando que os caras não queriam saber de ficar parados na mesma fórmula. É o som do pós-punk se formando, com um toque ácido e inconfundível.

O álbum se destaca pelo seu conceito visual e temático, sugerido já no título. Ele brinca com a ideia de extremos, contrastes e dualidade. Enquanto o som da Banda B - a parte mais acelerada do disco - é mais direto e agressivo, o lado A revela nuances, temas mais obscuros e a complexidade instrumental que já era marca registrada do The Stranglers. Eles usam essa divisão para comentar o cenário social e musical da época com uma acidez peculiar, fazendo piada com a superficialidade do momento e a própria imagem da banda.

A turma envolvida neste projeto é a clássica formação que fez história: Jean-Jacques Burnel no baixo estrondoso e vocal, Hugh Cornwell na guitarra e voz, Jet Black na bateria coesa e, claro, Dave Greenfield com seus teclados icônicos, que dão um toque quase espacial a faixas mais lentas. A produção foi da própria banda, com a ajuda de um engenheiro de som talentoso, garantindo que o som cru e potente fosse capturado sem frescura.

Black and White cravou seu lugar nas paradas britânicas, atingindo a posição 2 e provando que a banda estava no auge da sua popularidade e relevância. Este sucesso comercial garantiu que suas ideias não convencionais chegassem a um público massivo, solidificando seu status como "os estranhos" que davam certo.

A primeira parte do álbum é marcada por hinos como "Tank", uma abertura ensandecida que já dita o ritmo frenético, e "Nice 'n' Sleazy", que virou um dos singles mais famosos, com sua letra espirituosa e andamento contagiante. Já a segunda metade traz joias mais reflexivas e sombrias, como "Death and Night and Blood (Yukio)", uma homenagem bizarra ao escritor japonês Yukio Mishima, e a instrumental "Tomorrow Was the Hereafter", que mostra a veia progressiva do grupo.

O álbum surgiu no ápice da era punk, mas o The Stranglers já vinha desafiando rótulos. Eles foram rotulados como punk, mas eram mais velhos, mais virtuosos e traziam um teclado proeminente, algo impensável para a ortodoxia punk. Black and White é a resposta musical deles, abraçando a energia punk enquanto a subvertem com complexidade harmônica e letras inteligentes.

A capa original do disco vinha com um adesivo onde o nome de um dos integrantes era substituído por "Noel" — uma brincadeira interna que realçava o senso de humor sarcástico do grupo e confundia quem estava comprando o disco. Além disso, o disco foi gravado em um ritmo acelerado, o que contribuiu para a sensação de urgência e intensidade que permeia todas as faixas.

O The Stranglers lançou o álbum pela United Artists, uma gravadora que lhes deu a liberdade para explorar sua visão sonora, e o disco, com seu toque proto-gótico em faixas mais lentas e sua fúria punk em outras, influenciou uma série de bandas que viriam a formar a cena post-punk, como Joy Division e Killing Joke, sendo um marco na transição da raiva punk para a introspecção e frieza do pós-punk.

Ficha Técnica
Autor: The Stranglers
Ano de lançamento: 1978
Produtor: The Stranglers (com a assistência de Alan Winstanley)
Gravadora: United Artists Records

Tracklist
- Tank (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Nice 'n' Sleazy (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Sweden (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- To Walk Invisible (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Do You Wanna (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Death and Night and Blood (Yukio) (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- In the Shadows (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Enough Time (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Rats Revelations (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Out of the Shadows (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)
- Princess of the Streets (Hugh Cornwell, Jean-Jacques Burnel, Dave Greenfield, Jet Black)